BRICS marcará 18a Cúpula em Nova Delhi com foco em resiliência econômica
Economia e Comércio — Global
Líderes irão debater multilateralismo inclusivo, cooperação financeira e alternativas para o crescimento global
A cúpula de Nova Delhi e a pauta do BRICSO Ministro das Relações Exteriores, Mauro Vieira, representará o Presidente Luiz Inácio Lula da Silva na Cúpula de Líderes do BRICS, que ocorre em Nova Delhi nos dias 12 e 13 de setembro de 2026. O evento marca a conclusão da presidência indiana e estrutura-se em duas sessões de trabalho fundamentais. Na primeira, voltada estritamente aos membros, os líderes debatem temas voltados à governança global inclusiva e ao fortalecimento do multilateralismo. A segunda sessão amplia o diálogo para os dez países parceiros e dezesseis convidados, focando em resiliência, inovação, cooperação e sustentabilidade para moldar um crescimento global mais inclusivo. Em um momento de desequilíbrios na arquitetura internacional, o bloco reafirma sua relevância como um fórum essencial para a coordenação de posições entre economias em desenvolvimento.As novas prioridades econômicas para 2026O BRICS, foro originalmente composto por Brasil, Rússia, Índia, China e África do Sul, consolidou-se ao longo da última década como o principal agrupamento de grandes economias emergentes com o objetivo de buscar maior influência em instituições financeiras globais. Em 2026, o bloco reafirma sua agenda ambiciosa ao priorizar o fortalecimento de transações em moedas nacionais e a expansão da atuação do Novo Banco de Desenvolvimento (NBD). A estratégia visa aumentar a autonomia financeira dos membros, reduzindo a vulnerabilidade a choques externos e às oscilações das principais moedas internacionais. Paralelamente, o bloco busca atrair capital privado para projetos de infraestrutura, saneamento e desenvolvimento sustentável, utilizando garantias estruturadas para mitigar riscos de mercado. As reuniões preparatórias entre ministros das Finanças e bancos centrais consolidaram propostas para criar sistemas de pagamento e compensação mais eficientes, fundamentais para elevar a integração comercial e financeira entre as nações integrantes.Desafios e tensões para a coesão do blocoO agrupamento, que iniciou sua trajetória com cinco membros, passou por um expressivo processo de ampliação nos últimos anos, integrando novos países como Egito, Etiópia, Irã, Emirados Árabes Unidos e Indonésia, com o intuito de representar mais fielmente a diversidade do Sul Global. Essa expansão trouxe novos desafios para a coesão interna, visto que o bloco agora abriga nações com visões políticas e interesses estratégicos frequentemente divergentes, especialmente após o início do conflito envolvendo o Irã. A crise no Oriente Médio, que resultou na suspensão de transações entre os Emirados Árabes Unidos e o Irã, impõe obstáculos significativos à formulação de uma declaração conjunta. Além disso, as políticas protecionistas e unilaterais do Presidente Donald Trump exercem pressão constante sobre as economias do grupo, exigindo um equilíbrio diplomático delicado por parte de nações que buscam evitar o confronto direto com Washington. A ampliação do BRICS, embora projete maior alcance geopolítico, tornou a busca por consenso um exercício complexo, dado que os interesses divergentes dos novos integrantes e as sanções econômicas globais testam a capacidade de atuação unificada do coletivo.A posição do Brasil na agenda do BRICSCom a chegada da 18a cúpula, o Brasil reafirma seu compromisso com o fortalecimento do bloco e utiliza o espaço do BRICS para promover o debate sobre a reforma da governança global, defendendo maior representação para países em desenvolvimento no sistema internacional. Para a diplomacia brasileira, o engajamento no BRICS é estratégico por permitir uma atuação articulada em prol de um comércio mais justo e previsível, além de fortalecer a cooperação em áreas como a transição energética e o desenvolvimento tecnológico. A continuidade do engajamento brasileiro no grupo demonstra a prioridade de manter o multilateralismo como alicerce da política externa nacional, buscando garantir que as vozes do Sul Global sejam integradas nas decisões sobre a arquitetura econômica do século XXI.