Brasil ocupa cadeira no Tribunal Internacional do Direito do Mar em Hamburgo
Política Externa Brasileira — Global
Jurista George Galindo assume como novo magistrado da corte para um mandato de nove anos
A posse de George Galindo no TIDMO jurista brasileiro George Galindo assumiu oficialmente o cargo de juiz do Tribunal Internacional do Direito do Mar (TIDM) nesta semana, durante cerimônia realizada em Hamburgo, na Alemanha. A posse consolida o início de um mandato de nove anos, com vigência prevista até 2035, após a eleição ocorrida em junho passado. Este evento marca um passo relevante para a inserção internacional do Brasil, com um novo juiz brasileiro passando a integrar o corpo de 21 magistrados independentes responsáveis por assegurar a aplicação das normas jurídicas que regem os oceanos ao redor do planeta.O Tribunal Internacional do Direito do MarO Tribunal Internacional do Direito do Mar constitui a principal instância judicial para a interpretação e a aplicação da Convenção das Nações Unidas sobre o Direito do Mar (UNCLOS) e foi estabelecido formalmente em 1996. A corte atua na mediação pacífica de controvérsias relacionadas a fronteiras marítimas, exploração sustentável de recursos minerais nos fundos oceânicos e questões de navegação em águas territoriais. O tribunal, que demonstra o poder do Direito Internacional na resolução de impasses, emitiu uma opinião consultiva histórica em 2024, determinando que os Estados possuem a obrigação legal de proteger o meio ambiente marinho contra os impactos adversos das mudanças climáticas, reafirmando sua importância na proteção dos oceanos.Composição e legitimidade internacionalA nova composição do órgão reflete a diversidade dos sistemas jurídicos globais e o compromisso com a equidade geográfica entre as nações. Além do brasileiro George Galindo, foram empossados magistrados oriundos de Gana, Vietnã, Tunísia e Índia, reforçando o caráter plural e multilateral da instituição. O processo de seleção valoriza o conhecimento técnico e a integridade dos indicados, garantindo que a corte mantenha sua credibilidade perante a comunidade internacional. O jurista George Galindo atua como consultor jurídico do Ministério das Relações Exteriores desde 2016, sendo reconhecido como um dos principais especialistas brasileiros em Direito Internacional. A eleição do magistrado ocorreu em Nova York, durante a 36ª Reunião dos Estados Partes da Convenção, consolidando sua posição entre os novos juízes eleitos e reforçando a capacidade técnica brasileira perante o tribunal.A relevância estratégica para o BrasilA eleição de um jurista brasileiro ao Tribunal Internacional do Direito do Mar reafirma a tradição de participação ativa do país nas instâncias multilaterais desde a fundação do órgão. Antes de George Galindo, o Brasil foi representado pelos juristas Vicente Marotta Rangel, que exerceu o mandato de 1996 a 2015, e Antonio Cachapuz de Medeiros, que atuou entre 2016 e 2026, mantendo uma presença ininterrupta que atesta o prestígio da diplomacia jurídica nacional. Esta cadeira possui importância estratégica direta para o Estado brasileiro, especialmente no contexto da reivindicação junto à Organização das Nações Unidas para a extensão da plataforma continental além das duzentas milhas náuticas, área de valor econômico e ecológico reconhecida como Amazônia Azul.Três décadas de diplomacia marítimaO Tribunal Internacional do Direito do Mar celebrou recentemente o seu trigésimo aniversário, em setembro de 2026, reafirmando sua missão perante as futuras gerações. O Secretário-Geral da ONU, Antonio Guterres, destacou na ocasião que o oceano funciona como uma rodovia para o comércio global e um elemento vital para a sobrevivência do ecossistema terrestre. Guterres enfatizou que, dado que os oceanos cobrem mais de 70% do planeta, a forma como são governados constitui um teste crucial para a cooperação internacional. A relevância da corte cresce em um cenário marcado por desafios crescentes na segurança marítima e na gestão de recursos, consolidando o tribunal como um pilar essencial para a estabilidade da ordem jurídica internacional, ao mesmo tempo em que oferece ao Juiz Galindo a oportunidade de contribuir diretamente para o desenvolvimento e a aplicação da lei do mar.