Brasil participa da 68ª Reunião do Conselho do Mercado Comum em Assunção
Política Externa Brasileira — América do Sul
Durante o encontro no Paraguai, o chanceler Mauro Vieira destacou a importância de preservar a união aduaneira e anunciou repasses ao fundo estrutural da reg...
A reunião do Conselho e os investimentos regionaisO ministro das Relações Exteriores do Brasil, Mauro Vieira, participou da 68ª Reunião do Conselho do Mercado Comum, em Assunção, no Paraguai, no dia 29 de junho de 2026. O Conselho representa a instância decisória máxima do Mercado Comum do Sul (Mercosul) e reúne os chanceleres dos países integrantes para alinhar as estratégias de integração regional antes da cúpula presidencial. Durante o evento, o governo brasileiro confirmou que repassará cem milhões de dólares anuais ao Fundo para a Convergência Estrutural do Mercosul (Focem). O montante visa financiar projetos de infraestrutura, saneamento e habitação, especialmente em áreas de fronteira. A consolidação deste investimento reflete o compromisso nacional com a diminuição das desigualdades econômicas entre os vizinhos sul-americanos.Os compromissos sociais e os atos assinadosO encontro ministerial resultou em importantes definições para as políticas públicas e o trânsito cidadão. O ministro brasileiro assinou protocolos que facilitam o transporte de cargas menores entre o Brasil e o Paraguai, além de um acordo sobre o reconhecimento mútuo de identidades e assinaturas eletrônicas. No âmbito social, Vieira defendeu o repasse contínuo de recursos para o Instituto Social do Mercosul e para o Instituto de Políticas Públicas em Direitos Humanos. A comitiva do Brasil reiterou a proposta de criação de um pacto regional focado no enfrentamento da violência contra as mulheres. Essa pauta reforça a profundidade da integração, extrapolando o aspecto estritamente tarifário.Os avanços na agenda comercial externaA diplomacia brasileira destacou a expansão sem precedentes das parcerias internacionais do agrupamento. Mauro Vieira classificou o atual cenário como um momento paradoxal, pois o bloco alcança resultados expressivos externamente, enquanto lida com divergências internas significativas. O ministro ressaltou a recente conclusão de entendimentos com a Associação Europeia de Livre Comércio e com Singapura, além das negociações em andamento com Canadá, Vietnã, Índia e Japão. As exportações intrabloco também registraram um aumento consistente, passando de quatro bilhões e meio de dólares no início da década de 1990 para cerca de cinquenta e um bilhões de dólares em 2025. Esses dados comprovam o fortalecimento da plataforma comercial perante o sistema internacional.A defesa da integridade institucionalApesar do sucesso comercial no exterior, o chanceler expressou grave preocupação com medidas que comprometem a coesão do grupo. Sem mencionar diretamente outras nações, Vieira criticou abertamente as iniciativas unilaterais de Estados-membros que buscam firmar acordos de livre comércio à margem das regras comunitárias. Tais ações desrespeitam o Tratado de Assunção e ameaçam a manutenção da Tarifa Externa Comum (TEC), pilar fundamental da união aduaneira. O diplomata argumentou que a falta de consenso envia sinais contraditórios aos parceiros globais e prejudica a credibilidade do bloco. A preservação das normativas internas torna-se indispensável para garantir a estabilidade das políticas alfandegárias conjuntas. O futuro do bloco dependerá, na visão brasileira, da escolha clara entre avançar como uma união aduaneira solidificada ou abandonar essa prioridade em favor de flexibilizações individuais.