IBGE e Embaixada na China debatem cooperação em dados e IA
Política Externa Brasileira — América do Sul
O diálogo pretende ampliar parcerias bilaterais na gestão pública de informações e geociências.
Articulação institucional em PequimA cúpula da estatística oficial brasileira iniciou tratativas diplomáticas na Ásia para modernizar a gestão pública de informações. Em Pequim, presidente do Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE), Marcio Pochmann, e o diretor do Centro de Documentação e Disseminação de Informações (CDDI), José Daniel Castro, reuniram-se em Pequim, com o embaixador do Brasil na China, Marcos Galvão. O encontro na representação diplomática teve o objetivo de expandir a presença internacional do instituto diante do avanço da datificação e da inteligência artificial (IA). A pauta priorizou a aproximação entre o órgão técnico e a rede do Ministério das Relações Exteriores (MRE) para inserir o país nos debates globais sobre estatísticas oficiais, geociências e governança digital. Essa coordenação em Pequim reflete uma agenda técnica iniciada dias antes em centros chineses de inovação.A nova economia dos dadosA missão brasileira na Ásia observa de perto a transformação da informação em ativo econômico central. Antes da reunião na embaixada, em 10 de outubro de 2026, a delegação visitou a Bolsa de Dados de Xangai (criada em 2021) e, no dia 19, esteve na Administração Nacional de Dados da China. A experiência chinesa incorpora os dados como um dos cinco fatores fundamentais de produção, ao lado da terra, do capital, do trabalho e da tecnologia. Para Marcio Pochmann, o Brasil precisa participar ativamente dessa nova arquitetura econômica para proteger sua soberania estatística e geocientífica. Segundo o dirigente, o instituto deve atuar na linha de frente tecnológica para garantir que o processamento de informações sirva à democracia e ao projeto nacional de desenvolvimento. Esse fortalecimento da capacidade estatal demanda, contudo, melhorias diretas na entrega do conhecimento à população.Inovação e transparência públicaA adoção de ferramentas digitais avançadas altera diretamente a difusão do conhecimento governamental para a sociedade. Durante as discussões na capital chinesa, José Daniel Castro ressaltou que a elaboração de indicadores confiáveis representa apenas uma etapa do trabalho institucional. É necessário garantir que as estatísticas oficiais cheguem aos cidadãos, aos pesquisadores, às empresas e aos gestores públicos de maneira simples, transparente e útil. O uso da inteligência artificial e a integração de bases de informações permitem aprimorar as metodologias que medem a realidade socioeconômica do país. Além do intercâmbio bilateral com as instituições chinesas, esse esforço de modernização tecnológica dialoga com os compromissos multilaterais assumidos pelo governo brasileiro em 2026.Alinhamento multilateral no BRICSA busca por autonomia na gestão de dados acompanha as diretrizes recentes da política externa brasileira para o Sul Global. Em 21 de agosto de 2026, durante encontro ministerial na Índia coordenado pelo ministro indiano Jitendra Singh e com representação do secretário Daniel Almeida Filho pelo Ministério da Ciência, Tecnologia e Inovação (MCTI), o agrupamento formado por Brasil, Rússia, Índia, China e África do Sul (BRICS) aprovou o Consenso de Chennai. O documento estabelece prioridades conjuntas em inteligência artificial, computação de alto desempenho e tecnologias geoespaciais, preparando o terreno para a presidência chinesa do bloco em 2027. Ao estreitar laços técnicos em Pequim, o IBGE consolida sua função como infraestrutura pública de conhecimento do Estado brasileiro. A ampliação dessa presença internacional garante ao Brasil voz ativa na definição de padrões e políticas que moldarão o futuro da sociedade digital.