IRGC Declara o Estreito de Ormuz Fechado

Governança Global — Oriente Médio

O general Jabari declarou formalmente o Estreito de Ormuz fechado, ameaçando incendiar qualquer navio que tentasse cruzar. O Brent disparou 40% acima do níve...

Na manhã de segunda-feira, 2 de março de 2026, às primeiras horas do horário de Teerã, o general de brigada Ebrahim Jabari — assessor sênior do comandante-em-chefe do IRGC, uma das vozes militares mais influentes da Guarda Revolucionária — publicou declaração simultânea na agência semioficial Tasnim, no canal oficial do IRGC no Telegram e no canal da Tasnim, tornando o anúncio imediatamente verificável e amplifcado pela comunidade internacional, conforme documentaram a Al Jazeera, a Marine Insight e o gcaptain. "O Estreito está fechado. Se alguém tentar passar, os heróis da Guarda Revolucionária e da Marinha regular incendiarão aqueles navios", disse Jabari, conforme reproduziram a Al Jazeera e a Marine Insight. Em postagens subsequentes no mesmo canal, Jabari ampliou a ameaça: "Também atacaremos oleodutos e não permitiremos que uma única gota de petróleo deixe a região. O preço do petróleo chegará a US$ 200 nos próximos dias", conforme reproduziram a Al Jazeera e o gcaptain. "Os americanos, com dívidas de trilhões de dólares, dependem do petróleo da região, mas devem saber que nem uma gota chegará a eles", acrescentou Jabari, conforme a agência Tasnim e a Al Jazeera. O IRGC havia transmitido advertências pelo rádio VHF a navios no estreito desde as primeiras horas de sábado — mas a declaração de Jabari de segunda-feira era qualitativamente diferente: constituía o primeiro anúncio formal e público do fechamento, com ameaça explícita de uso da força contra qualquer embarcação que tentasse transitar, conforme analisou o gcaptain e a Columbia University Center on Global Energy Policy.Os mercados responderam com o maior salto em uma única sessão desde a invasão do Iraque em 2003. O petróleo Brent — referência internacional — saltou para US$ 105,70 por barril, alta de 2,5% na sessão de segunda-feira, mas acima de 40% em relação ao nível de cerca de US$ 65 imediatamente antes do início da guerra em 28 de fevereiro, conforme a Al Jazeera registrou com base nos dados da Intercontinental Exchange. O gás natural europeu — referência TTF na Holanda — havia subido quase 50% desde o início das operações; o GNL asiático (referência JKM), cerca de 40%, conforme a Al Jazeera e a National Maritime Foundation documentaram. A razão para os saltos do gás natural era direta: a QatarEnergy havia anunciado naquele mesmo dia que suspendia a produção de GNL nas instalações de Ras Laffan após os ataques iranianos de drones às instalações qatarianas durante o fim de semana — e estava considerando declarar força maior em todos os contratos de embarque, o que formalizaria em 4 de março, conforme a Carra Globe e a Al Jazeera documentaram. O Qatar era o maior exportador mundial de GNL, com mais de 77 milhões de toneladas anuais — e a interrupção simultânea da produção e do acesso ao estreito pelo qual escoa toda a sua exportação criava um colapso de suprimento sem precedente histórico na era pós-pandemia para os mercados de energia da Europa e da Ásia, conforme analisou a Columbia University Center on Global Energy Policy.O anúncio de Jabari havia encontrado o estreito já efetivamente paralisado. Segundo os dados de rastreamento da Windward Maritime AI e da Clarksons Research, mais de 150 navios estavam ancorados fora do estreito nas águas do Golfo de Omã, do Mar da Arábia e do Porto de Fujairah nos EAU, aguardando instruções de seus armadores, conforme a Al Jazeera e a CNN documentaram. À meia-noite de domingo para segunda, nenhum navio-tanque em todo o estreito transmitia sinais do Sistema de Identificação Automática (AIS) — indicando tráfego praticamente nulo —, conforme o gcaptain. A única exceção verificada era o navio Pola, que havia desligado seu transponder AIS ao se aproximar do estreito na madrugada de domingo e reaparecido nos dados de rastreamento ao largo de Abu Dhabi na manhã de segunda, tendo conseguido cruzar durante a janela de menor vigilância, conforme a Reuters e a Al Jazeera. Todos os demais haviam sido forçados a aguardar. O navio Athe Nova — com ligações ao Irã —, havia tentado cruzar e sido atacado por dois drones da IRGC após a declaração de Jabari, conforme a Tasnim News citou. O Stena Imperative, de bandeira americana, havia sido atingido duas vezes enquanto estava atracado no porto de Bahrein — causando incêndio, matando um trabalhador portuário e ferindo dois outros, sem danos à tripulação do navio —, conforme a Marine Insight documentou.A resposta americana foi de escalada retórica combinada com impotência tática imediata. Trump publicou no Truth Social uma postagem pedindo que "muitos países" — nomeando explicitamente China, França, Japão, Coreia do Sul e Reino Unido — enviassem navios de guerra para abrir o estreito "em conjunto com os Estados Unidos". "Esperançosamente, a China, a França, o Japão, a Coreia do Sul, o Reino Unido e outros, que são afetados por essa restrição artificial, enviarão navios para a área para que o Estreito de Hormuz não seja mais uma ameaça por uma nação que foi totalmente decapitada", escreveu Trump, conforme a Al Jazeera reproduziu. Nenhum dos países mencionados confirmou participação. A Alemanha foi explícita: um porta-voz do governo disse que "enquanto esta guerra continuar, não haverá participação, nem mesmo em qualquer esforço para manter o Estreito de Hormuz aberto por meios militares", conforme a Al Jazeera. A Grécia igualmente descartou qualquer envolvimento militar, conforme a Al Jazeera. O secretário de Energia Chris Wright disse à CNBC que a Marinha americana "ainda não estava pronta para escoltar navios" pelo estreito e que poderia estar em condições de fazê-lo "apenas ao final do mês", conforme a CNN. O analista Andrew Krieg, da consultoria de segurança marítima Ambrey, disse à Al Jazeera que não havia solução militar rápida para reabrir o estreito, pois tudo o que o Irã precisava fazer era "atacar ocasionalmente para manter os seguradores afastados" — e que enviar navios militares sem um acordo diplomático apenas exporia "navios militares muito caros a projéteis muito baratos mas potencialmente muito eficazes".