Israel ameaça Líbano com ataques ao aeroporto e civis caso Hezbollah entre na guerra

Segurança e Paz — Oriente Médio

Autoridades libanesas relatam aviso israelense de ataques duros, inclusive contra aeroporto e alvos civis se o Hezbollah entrar em eventual guerra EUA–Irã, e...

 Israel transmitiu ao Líbano um aviso de que responderá com ataques duros — incluindo contra infraestrutura civil, como o aeroporto — caso o Hezbollah se envolva em qualquer guerra entre Estados Unidos e Irã, relataram nesta terça-feira dois altos funcionários libaneses familiarizados com o conteúdo da mensagem. O alerta foi descrito como um recado indireto, num momento em que cresce a preocupação regional com a possibilidade de escalada militar entre Washington e Teerã e em que Beirute tenta preservar margem de manobra para impedir que o território libanês seja novamente arrastado para um confronto de alta intensidade.O episódio ocorre em meio a uma diplomacia sob tensão. Segundo o mesmo relato, Estados Unidos e Irã manterão um terceiro round de negociações sobre o programa nuclear em Genebra na quinta-feira, informação atribuída pelo noticiário internacional ao ministro das Relações Exteriores de Omã, Badr Albusaidi. A perspectiva de um novo encontro formal, contudo, convive com medidas preventivas e com movimentações de segurança que refletem a fragilidade do momento.No front doméstico libanês, a mensagem israelense intensificou pressões sobre o governo. O primeiro-ministro Nawaf Salam, que assumiu com o compromisso de ampliar o controle estatal sobre armas e que defende a dissuasão de aventuras militares fora da autoridade pública, pediu ao Hezbollah que não conduza o país a “outra aventura”, em entrevista publicada nesta terça-feira. A frase ecoa a percepção, disseminada no establishment libanês, de que conflitos regionais anteriores cobraram elevado preço em vidas, destruição e paralisia econômica.Do lado do Hezbollah, a posição pública indica cautela combinada com ameaça potencial. Naim Qassem, apresentado como novo líder do grupo após a guerra de 2024, afirmou em discurso televisivo no mês anterior que a organização não é “neutra” no impasse entre Washington e Teerã e que está “alvo” de uma possível agressão, acrescentando que escolherá “no tempo devido” como agir — se intervir ou não. O enquadramento revela, no plano político, a tentativa de manter capacidade de dissuasão e, ao mesmo tempo, calibrar riscos de uma escalada que poderia atrair ataques sobre infraestrutura libanesa.A memória de 2024 pesa sobre os cálculos. Israel, segundo relatos citados por autoridades e por fontes regionais, impôs golpes severos ao Hezbollah naquela guerra, matou Hassan Nasrallah e degradou parte do arsenal do grupo. Ainda assim, desde o cessar-fogo apoiado pelos Estados Unidos em 2024, o território libanês continuou sendo palco de ataques regulares israelenses contra alvos identificados como ligados ao Hezbollah, sob a alegação de que o grupo busca se rearmar. Um balanço libanês citado no noticiário aponta que cerca de 400 pessoas morreram em ataques israelenses desde o cessar-fogo, enquanto o Hezbollah afirma ter respeitado os termos no sul.A tensão também repercute na postura norte-americana no terreno. Autoridades dos Estados Unidos informaram que estão retirando pessoal governamental não essencial e familiares elegíveis da embaixada em Beirute, medida preventiva que costuma sinalizar aumento de risco para instalações diplomáticas. Para o governo libanês, essa combinação — aviso israelense, pressão interna sobre o Hezbollah e cautela dos EUA — amplia a urgência de evitar incidentes que possam transformar o Líbano em teatro secundário de um conflito maior.O quadro, em síntese, revela a interdependência entre negociações nucleares e segurança regional. Mesmo quando a diplomacia continua formalmente em Genebra, a capacidade de atores não estatais — e as respostas de Estados com superioridade militar — condiciona a estabilidade. Para o Líbano, a equação é particularmente sensível: a tentativa de consolidar um monopólio estatal sobre a força colide com a realidade de um grupo armado poderoso, com vínculos regionais e com legitimidade social em parte de sua base, enquanto ameaças a infraestrutura civil elevam o risco humanitário e econômico de qualquer escalada.