Trump anuncia fundo multibilionário e envio de tropas para reconstruir Gaza
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Reunião inaugural em Washington anuncia US$ 7 bilhões em promessas para Gaza e compromissos iniciais para uma força multinacional de estabilização e treiname...
O presidente Donald Trump abriu nesta quinta-feira, em Washington, a primeira reunião do Board of Peace e anunciou um pacote inicial para Gaza que combina recursos financeiros, promessa de presença internacional e treinamento policial. No encontro, Trump afirmou que nove países-membros acordaram contribuições que somam US$ 7 bilhões para ações de alívio e para preparar etapas de reconstrução do território palestino, e que cinco países aceitaram participar com tropas de uma futura força multinacional de estabilização. O evento ocorreu no edifício do U.S. Institute of Peace, na capital federal, e foi apresentado como parte do esforço para sustentar o cessar-fogo de outubro e mover o conflito para uma fase de reconstrução após dois anos de guerra entre Israel e Hamas. A Associated Press registrou que, apesar do volume anunciado, o montante é pequeno diante do custo total de reconstrução estimado em até US$ 70 bilhões, e que Trump também anunciou uma promessa de US$ 10 bilhões dos Estados Unidos, sem esclarecer a origem orçamentária e com indicação de que o valor dependeria de autorização legislativa. No detalhamento das promessas, a Reuters publicou uma lista de ofertas feitas por autoridades presentes. Segundo a agência, os Emirados Árabes Unidos prometeram US$ 1,2 bilhão ao conselho, enquanto o Catar e a Arábia Saudita anunciaram aportes de US$ 1 bilhão cada — no caso saudita, distribuído ao longo de alguns anos. O Kuwait, em nota citada pela Reuters, também disse que doará US$ 1 bilhão. O componente de segurança ganhou forma com o anúncio do comandante da International Stabilization Force, o major-general Jasper Jeffers. Ele disse que Indonésia, Marrocos, Cazaquistão, Kosovo e Albânia foram os primeiros países a se comprometer com tropas, enquanto Egito e Jordânia aceitaram apoiar o esforço por meio do treinamento de policiais que atuariam na base de uma força de policiamento de transição. Jeffers afirmou que a implantação começará por Rafah, no sul do território, com expansão “setor a setor” conforme o treinamento avance. Segundo ele, o planejamento de longo prazo prevê cerca de 20 mil militares para a força de estabilização e a formação de 12 mil policiais. A AP observou que Rafah foi apresentada como primeiro foco de reconstrução e que o cronograma dependerá de coordenação com Israel, que mantém controle sobre a área indicada como ponto inicial. O nó político permanece sendo o desarmamento do Hamas. Em declaração reproduzida pela Reuters, Trump afirmou que “parece” que o grupo se desarmará, mas a AP destacou que essa é a principal questão não resolvida e pode atrasar ou até desestabilizar o arranjo de cessar-fogo e reconstrução. As incertezas incluem a sequência entre desarmamento, presença/retirada de forças israelenses e construção de estruturas administrativas locais capazes de operar serviços públicos básicos. Para a diplomacia internacional, o desafio imediato é converter promessas em mecanismos verificáveis: governança e transparência do fundo, coordenação com agências humanitárias, mandato e regras de engajamento da força de estabilização e critérios mensuráveis para transição de segurança. Ainda segundo a AP, Trump buscou refutar críticas de que estaria rivalizando com a Organização das Nações Unidas e afirmou que seu conselho ajudaria a fortalecer o sistema multilateral.