Cúpula da OTAN inicia em Ancara com atritos sobre defesa e disputa pela Groenlândia
Segurança e Paz — Global
Abertura do encontro na Turquia expõe um momento frágil da aliança perante disputas orçamentárias, reivindicações territoriais e apoio a Kiev.
Tensões na abertura da cúpula em AncaraA Organização do Tratado do Atlântico Norte (OTAN) iniciou sua cúpula de líderes nesta terça-feira, em Ancara, na Turquia, com encontros previstos até quarta-feira. O evento ocorre em um momento delicado para a aliança militar de setenta e sete anos, marcada por recentes fricções transatlânticas envolvendo a guerra no Irã, a retirada gradual de tropas estadunidenses do continente europeu e o status da Groenlândia. Líderes das trinta e duas nações membros, além de chefes de Estado convidados de países não aliados, buscam demonstrar coesão institucional, apesar do clima de incerteza gerado pelas recentes críticas do presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, à eficácia do bloco. A principal meta política das rodadas iniciais é projetar uma imagem de unidade perante a comunidade internacional e apaziguar as desconfianças sobre o comprometimento mútuo entre os signatários.Pressões de Washington por maior orçamento de defesaO tema do financiamento militar dominou as primeiras sessões de debates operacionais, impulsionado pela forte pressão da delegação estadunidense. No ano anterior, a organização estabeleceu o compromisso de destinar 3,5 por cento do Produto Interno Bruto (PIB) para a defesa primária e 1,5 por cento para segurança cibernética até 2035. Contudo, dados atualizados indicam que apenas cinco membros atingirão o objetivo principal até 2026, motivando críticas públicas contundentes sobre o desequilíbrio no compartilhamento de custos. O Secretário-Geral da OTAN, Mark Rutte, exigiu planos críveis e concretos dos governos europeus para lidarem com as crescentes ameaças de segurança globais. Esse cenário obriga os países aliados a formularem respostas rápidas para reequilibrar a balança de contribuições financeiras do tratado.Disputa diplomática sobre o controle da GroenlândiaParalelamente aos impasses orçamentários, um conflito territorial ganhou grande destaque nas discussões do primeiro dia. O governo dos Estados Unidos reiterou de forma incisiva o interesse em assumir o controle da Groenlândia, argumentando que a aquisição da região autônoma dinamarquesa é um pilar vital para sua segurança nacional. A declaração gerou pronta rejeição da primeira-ministra da Dinamarca, Mette Frederiksen, que enfatizou a soberania inegociável de seu país e declarou categoricamente que o território não se encontra à venda. A postura firme de Copenhague recebeu apoio integral das autoridades locais groenlandesas, expondo uma divergência frontal entre membros chave da organização. A insistência estadunidense no tema adicionou uma camada complexa de tensão a um fórum já sobrecarregado por divergências.Acordos para a Ucrânia e expectativas para o encerramentoNo âmbito tático e estratégico, a cúpula concentrou esforços na renovação do suporte militar à Ucrânia. Diante da intensificação dos ataques russos à capital ucraniana, o presidente Volodymyr Zelensky participou ativamente das negociações para garantir o envio imediato de novos sistemas de defesa antiaérea. O primeiro dia resultou na assinatura de acordos de produção e transferência tecnológica com a Estônia, os Países Baixos e a Dinamarca, além da liberação de um financiamento norueguês superior a trezentos milhões de dólares para a compra de interceptadores de mísseis balísticos. As deliberações seguirão ao longo de quarta-feira focadas na construção de consensos práticos. O resultado final da cúpula determinará a capacidade da aliança de contornar suas divisões políticas internas e reafirmar sua força dissuasória no cenário global.