"Sem Vergonha Nenhuma": Witkoff Revela que Iranianos Confessaram Ter Urânio para 11 Bombas

Segurança e Paz — Oriente Médio

Enviado americano descreve ao vivo o colapso das negociações nucleares de Genebra: Teerã disse ter 460 kg de urânio a 60% — suficiente para 11 ogivas — e rec...

Na segunda-feira à noite, 2 de março de 2026, e ao longo de toda a terça-feira, 3 de março, o enviado especial americano para o Oriente Médio Steve Witkoff — o negociador principal da administração Trump nas três rodadas de negociações nucleares com o Irã realizadas em Mascate (6 de fevereiro), Mascate novamente (17 de fevereiro) e Genebra (26 de fevereiro) —, concedeu uma série de entrevistas ao Fox News com o apresentador Sean Hannity, à CNBC e a jornalistas da Casa Branca em coletiva de fundo (backgrounder), nas quais revelou detalhes inéditos do que havia ocorrido nas negociações, conforme documentaram a CBS News, o Times of Israel, a i24 News, a Fox News, a Ukrainska Pravda e a Arms Control Association. A mais impactante das revelações ocorreu na entrevista ao Fox News: Witkoff descreveu a abertura da primeira reunião em Mascate dizendo que "os dois negociadores iranianos disseram a nós diretamente — sem vergonha nenhuma — que controlavam 460 quilogramas a 60%", referindo-se ao nível de enriquecimento do urânio, e acrescentou que os próprios iranianos "estavam cientes de que isso poderia fazer 11 bombas nucleares, e essa foi a postura inicial deles nas negociações", conforme a CBS News e o Times of Israel reproduziram. Witkoff disse que o material poderia ser enriquecido do nível de 60% para o nível de armas — 90% — em apenas uma semana a dez dias, conforme a Fox News e a i24 News documentaram. A revelação era a justificativa post hoc mais concreta e mais explosiva oferecida publicamente pela administração Trump para a decisão de lançar a Operação Epic Fury — fornecendo ao conflito uma narrativa de "ameaça iminente" que a administração havia, até aquele momento, deixado deliberadamente vaga, conforme analisou a Arms Control Association.Witkoff descreveu as três rodadas de negociações como um fracasso progressivo causado pela intransigência iraniana, conforme a Fox News e o CNBC documentaram. Na primeira rodada em Mascate, em 6 de fevereiro, as delegações mal se encontraram: a reunião havia sido conduzida quase inteiramente de forma indireta, com intermediários omanenses transportando mensagens entre a delegação iraniana — o chanceler Araghchi — e a americana — Witkoff e Jared Kushner —, com apenas uma breve reunião presencial de quatro a cinco minutos ao final do dia, conforme um diplomata do Golfo Pérsico descreveu ao MS.Now. Na segunda rodada, o Irã havia recusado discutir seus mísseis balísticos e seu financiamento de grupos armados — dois pontos que Witkoff descreveu como inegociáveis para a administração Trump —, conforme seniores do governo americano confirmaram ao MS.Now em condição de anonimato. Na terceira e última rodada, em Genebra, em 26 de fevereiro — dois dias antes do início da Epic Fury —, os EUA haviam feito o que Witkoff chamou de oferta "generosa e final": o Irã poderia parar todo o enriquecimento por dez anos em troca de os EUA fornecendo combustível nuclear gratuitamente para todos os reatores civis iranianos durante todo o período. O Irã havia chamado a proposta de "um insulto à sua dignidade" e a havia recusado de plano, conforme Witkoff descreveu, acrescentando que "esse foi o momento em que soubemos que eles não tinham nenhuma intenção de fazer nada além de reter o enriquecimento com o objetivo de criar armas", conforme a Fox News e a i24 News reproduziram. Na mesma reunião em Genebra, o chanceler Araghchi havia "gritado" com a delegação americana ao reafirmar o que Witkoff descreveu como a posição iraniana central: o Irã não entregaria pela via diplomática o que os EUA não podiam obter militarmente — uma referência direta à Operação Martelo da Meia-Noite de junho de 2025, que havia atacado instalações nucleares iranianas sem destruir o programa de enriquecimento, conforme a Fox News e a i24 News documentaram.A versão de Witkoff foi imediatamente contestada por duas fontes independentes. A Arms Control Association, o mais respeitado think tank de controle de armas dos EUA, publicou análise detalhada em que desafiou factualmente múltiplas afirmações de Witkoff: em relação ao reator de pesquisa de Teerã (TRR), que Witkoff havia chamado de "subterfúgio" para esconder enriquecimento para fins militares, a Arms Control Association apontou que o reator estava sob inspeção regular da AIEA — que havia realizado inspeção em dezembro de 2025 —, que o material era na forma de conjuntos de combustível (não de gás UF6 necessário para enriquecimento adicional), e que a afirmação de Witkoff de que a AIEA "não havia conseguido fazer inspeções no Irã" desde a Op. Midnight Hammer era factualmente incorreta para o TRR especificamente, conforme a Arms Control Association documentou com base nos relatórios públicos da AIEA. Um diplomata do Golfo Pérsico — que havia intermediado as negociações e falou ao MS.Now em condição de anonimato —, descreveu a versão de Witkoff como "categoricamente incorreta", afirmando que o Irã havia estado preparado para continuar negociando em Mascate por "uma a duas semanas se necessário", que o tema das 460 quilogramas "absolutamente não havia emergido" na breve reunião presencial de 6 de fevereiro como Witkoff havia descrito, e que "Witkoff havia se comportado de uma forma que não condizia com o cargo que representava", conforme o MS.Now reproduziu. A Casa Branca, por meio da porta-voz Anna Kelly, descartou o relato do diplomata como "propaganda do regime do mal iraniano", conforme o MS.Now documentou.A revelação das 460 quilogramas e do potencial de 11 bombas havia sido feita num momento de máxima pressão política doméstica sobre a administração Trump para justificar a Epic Fury, conforme analisou o MS.Now e a NPR: o Partido Democrata havia iniciado processo formal de questionamento sobre a base jurídica da operação (uma declaração de guerra sem aprovação do Congresso), e parlamentares de ambos os partidos pediam audiências urgentes no Congresso, com o senador Bernie Sanders introduzindo resolução de impeachment do presidente, conforme documentaram a NPR e o MS.Now. Nesse contexto, a coletiva de Witkoff servia simultaneamente como justificativa retroativa da operação e como narrativa de comunicação para o público americano — numa combinação que analistas do MS.Now e da NPR descreveram como a mais agressiva campanha de relações públicas para uma ação militar americana desde as afirmações sobre armas de destruição em massa no Iraque em 2003.