Cúpula do BRICS encerra último dia com pronunciamento de Guterres e propostas econômicas

Governança Global — Global

Líderes debatem reestruturação global e anunciam novas plataformas comerciais no encerramento do evento.

Encerramento da cúpula em Nova DélhiO segundo dia de reuniões da décima oitava Cúpula do BRICS ocorreu neste domingo, 13 de setembro de 2026, com foco na consolidação de propostas econômicas e diplomáticas. O encerramento do encontro envolveu não apenas os membros plenos do bloco, mas também Estados associados, nações parceiras e convidados especiais, como o diretor-geral da Organização Mundial da Saúde (OMS) e lideranças da Organização Mundial do Comércio (OMC). O evento ainda reuniu chefes de Estado de nações como Cuba, Malásia e Tailândia, reforçando o engajamento direto de diferentes continentes. As sessões finais buscaram alinhar estratégias para o desenvolvimento sustentável em escala global. Esse esforço conjunto culminou em debates intensos sobre a necessidade de modernizar a arquitetura internacional.O discurso de Guterres e o apelo à reforma da governança globalO secretário-geral da Organização das Nações Unidas (ONU), António Guterres, participou do segundo dia de debates e pronunciou-se sobre a obsolescência das atuais estruturas de poder. As realidades econômicas, demográficas e geopolíticas de hoje diferem radicalmente daquelas de 1945, ano de fundação do sistema vigente, e, para Guterres, a transição para um mundo multipolar constitui um fato irreversível, o qual demanda adaptações urgentes por parte da comunidade internacional. O secretário-geral apoiou o pleito dos membros do BRICS quanto à promoção de reformas no Conselho de Segurança da ONU e no modelo de Bretton Woods, de modo a garantir mais equidade e representatividade aos países em desenvolvimento. Além dos alertas institucionais, o representante destacou as esferas financeiras e tecnológicas como áreas cruciais para essa transformação sistêmica.Iniciativas chinesas para o blocoO presidente chinês, Xi Jinping, aproveitou a sessão de encerramento para apresentar projetos focados na expansão das parcerias comerciais e tecnológicas do grupo. Pequim assumirá a liderança na criação de uma Zona de Código Aberto de Inteligência Artificial (IA) do BRICS, voltada para o treinamento e para a pesquisa tecnológica compartilhada, visando desenvolver grandes modelos de linguagem e um ecossistema digital seguro entre os membros. Xi também propôs o estabelecimento de uma parceria para Zonas Econômicas Especiais e confirmou que a China sediará um Fórum de Comércio de Serviços no próximo ano. Tais medidas buscam proteger as cadeias de suprimentos e pavimentar o caminho para a integração prática dos mercados emergentes.Perspectivas russa e indiana para o Sul GlobalA Rússia e a Índia aproveitaram o segundo dia da cúpula para reforçar a importância do bloco como um catalisador de oportunidades para todas as economias em desenvolvimento. O presidente Vladimir Putin falou diante dos parceiros e convidados acerca da importância da aliança como a principal força motriz para a criação de uma ordem mundial mais justa, incentivando a combinação das vantagens competitivas de cada nação. Em consonância, o primeiro-ministro da Índia, Narendra Modi, argumentou que os mecanismos criados pelo grupo devem beneficiar não só seus integrantes originais. Ele declarou que os resultados institucionais devem ser acessíveis a todas as regiões vulneráveis, promovendo um ecossistema financeiro amplo e inclusivo. Essa visão compartilhada define o tom das políticas de expansão econômica que guiarão as atividades do bloco no próximo ciclo anual.Perspectivas futuras e transição de liderançaO encerramento da cúpula desenhou um roteiro ambicioso para o futuro do Sul Global, com os acordos firmados no encontro estabelecendo as bases para negociações comerciais mais ágeis, consolidando o grupo como uma plataforma decisiva na tomada de decisões internacionais. Ao longo dos próximos doze meses, os comitês técnicos trabalharão na implementação dos marcos digitais e das novas diretrizes financeiras estabelecidas. O ciclo diplomático de Nova Délhi chega ao fim, com a confirmação de que a China assumirá oficialmente a presidência do bloco em 2027. Essa sucessão garantirá a continuidade das iniciativas debatidas, projetando uma presença ainda maior das potências emergentes na configuração política do planeta.