Ásia Corre Para Segurar a Economia com Brent Chegando a US$ 120
Economia e Comércio — Ásia e Oceania
Coreia do Sul anuncia pacote de estabilização de 100 trilhões de won — o maior da história do país; Japão promete liberar reservas estratégicas "na próxima s...
Reunião de Emergência do G7 e Dinâmica do Mercado de EnergiaNa quinta-feira, 5 de março, os ministros de energia do G7 haviam se reunido presencialmente na sede da Agência Internacional de Energia em Paris em reunião extraordinária convocada pelo diretor-executivo da IEA, Fatih Birol, a primeira reunião ministerial de emergência sobre o mercado de energia desde a reunião de março de 2022, que havia lançado a resposta da IEA à invasão russa da Ucrânia. Birol havia dito ao encerrar a reunião que os ministros "discutiram todas as opções disponíveis, incluindo tornar os estoques de emergência da IEA disponíveis para o mercado" (sem anunciar ainda o volume ou o mecanismo). A reunião de Paris era o prelúdio para uma decisão formal que seria tomada na semana seguinte. No sábado, 7 de março, o Brent havia recuado de seu pico de quase US$ 120 registrado no início da semana para cerca de US$ 90-92, recuo que analistas do JPMorgan e do Goldman Sachs atribuíam à expectativa de intervenção coordenada dos países consumidores e a um ligeiro afrouxamento da percepção de risco imediato após Pezeshkian pedir desculpas aos países vizinhos naquela manhã. O movimento era frágil: qualquer novo ataque iraniano a infraestrutura energética poderia inverter instantaneamente o recuo.Medidas Econômicas de Estabilização na Coreia do SulA Coreia do Sul foi o país que respondeu com a medida mais ambiciosa. Seul ativou um pacote de estabilização de mercado de 100 trilhões de won (aproximadamente US$ 68 bilhões), o maior programa de estabilização financeira da história do país, segundo o Ministério da Economia e das Finanças. O pacote incluía: uma linha de crédito de emergência de 20 trilhões de won para empresas de petróleo e gás enfrentando interrupções no suprimento; um fundo de 15 trilhões de won para cobrir gastos de companhias aéreas coreanas obrigadas a recalcular rotas pelo Cabo da Boa Esperança, adicionando até 14 horas por voo; subsídios ao preço do diesel para transportadores comerciais no valor de 10 trilhões de won; e o restante em garantias a empresas de manufatura expostas ao aumento do custo de energia. O primeiro-ministro Han Duck-soo disse que a Coreia do Sul dependia do Oriente Médio para aproximadamente 70% de suas importações de petróleo e que mais de 95% de todo o petróleo do Oriente Médio transitava pelo Estreito de Ormuz, tornando o país, junto com o Japão e Taiwan, um dos mais expostos estruturalmente ao bloqueio. A Bolsa de Valores de Seul (KOSPI) havia despencado 3,8% na segunda-feira, 2 de março, seu maior declínio diário em mais de três anos, com uma paralisação temporária das negociações acionada pelos mecanismos automáticos de circuit-breaker da bolsa, e havia parcialmente se recuperado durante a semana, mas permanecia 6,2% abaixo do nível pré-conflito.Ações Coordenadas no Japão, Índia e Países AsiáticosO Japão, que dependia do Oriente Médio para aproximadamente 90% de suas importações de petróleo bruto, havia anunciado através da primeira-ministra Sanae Takaichi que o país pretendia liberar estoques de petróleo de suas reservas nacionais "a partir da próxima semana", uma declaração que confirmava que Tóquio estava coordenando com a IEA uma contribuição às reservas coletivas, sem anunciar o volume. O Japão mantinha um estoque de reservas estratégicas de aproximadamente 324 milhões de barris, um dos maiores do mundo, e a liberação japonesa seria parte da resposta coordenada que a IEA formalizaria em 11 de março. A Índia havia cortado, via resolução ministerial publicada na sexta-feira, 6 de março, o imposto de importação sobre petróleo bruto de 5% para 0%, num esforço de conter o repasse dos custos energéticos à inflação doméstica, o Instituto de Pesquisa Econômica National Council of Applied Economic Research (NCAER) havia estimado que cada alta de US$ 10 no preço do barril equivalia a um aumento de 0,25 ponto percentual na inflação ao consumidor indiana. Bangladesh e Paquistão, dois dos países mais vulneráveis ao choque energético por sua dependência de importações de GNL para geração de eletricidade, haviam anunciado racionamento de combustível e cortes na iluminação pública. Taiwan havia imposto tetos de preço nos postos de combustível e activado reservas estratégicas de 60 dias.Projeções da Oxford Economics sobre o Impacto GlobalA Oxford Economics havia publicado na sexta-feira sua análise de cenário atualizada (a mais impactante da semana entre os documentos produzidos por institutos de pesquisa econômica). Os economistas Ryan Sweet e Ben May rodaram simulações com seu modelo global (GEM) para dois cenários: no cenário moderado, o Brent médio de US$ 100 por barril por dois meses tiraria "algumas décimas de ponto percentual" do crescimento global, mas recessions seriam evitadas. No cenário severo, que os economistas descreveram como "não impossível" dadas as trajetórias militares, o Brent médio de US$ 140 por dois meses, combinado com "significativo aperto das condições dos mercados financeiros, perturbações intensificadas nas cadeias de suprimento e deterioração contínua da psicologia coletiva", seria suficiente para "empurrar partes da economia global para uma recessão branda": contrações leves na zona do euro, no Reino Unido e no Japão; os EUA chegariam à beira de uma "paralisação temporária" com demissões empurrando o desemprego para cima; a inflação mundial (CPI) atingiria pico de 5,8%. O impacto sobre o PIB global seria de aproximadamente 0,7% negativo até o final de 2026. A análise da Oxford Economics era a mais citada naquele sábado pelos mercados e pela imprensa financeira justamente porque oferecia parâmetros quantitativos precisos para a questão que todos faziam mas ninguém conseguia responder com certeza: qual era exatamente o preço do petróleo que quebraria a economia global?