Rússia encerra trégua energética com o maior ataque de drones e mísseis do ano: 450 dro...

Segurança e Paz — Global

Na madrugada de 3 de fevereiro de 2026, a Rússia lançou 450 drones e 71 mísseis contra a rede elétrica ucraniana — o maior ataque do ano —, encerrando a trég...

Na madrugada de terça-feira, 3 de fevereiro de 2026, a sirene de alerta aéreo disparou em Kyiv às 0h30 do horário local. Minutos depois, jornalistas do Kyiv Independent confirmavam explosões em sequência na capital ucraniana. O que se seguiu ao longo de seis horas foi o maior ataque combinado de drones e mísseis registrado pela Força Aérea da Ucrânia no ano de 2026 até aquele momento, e o maior em número absoluto de munições lançadas desde a noite de dezembro de 2025, conforme relataram a Al Jazeera, a CNN e a ABC News. O balanço compilado pela Força Aérea Ucraniana ao longo da manhã: 71 mísseis — incluindo mísseis hipersônicos Zircon a velocidades registradas de 7.100 e 7.800 km/h, mísseis de cruzeiro Kh-22 e Kh-32, e mísseis balísticos Iskander-M — e 450 drones dos modelos Shahed e Geran-2. Dos 71 mísseis, 38 foram abatidos; dos 450 drones, 412 foram suprimidos. Os 27 mísseis e 31 drones que passaram pela defesa aérea impactaram 27 locais distintos em oito regiões: Sumy, Kharkiv, Kyiv, Dnipro, Zaporizhzhia, Odesa, Vinnytsia e Cherkasy, conforme detalhou a ABC News com base nos dados da Força Aérea Ucraniana.O timing do ataque era política e diplomaticamente devastador para Washington — e deliberadamente calculado para o ser. Na quinta-feira anterior, 29 de janeiro, o presidente Donald Trump havia anunciado publicamente que pediu pessoalmente a Vladimir Putin que parasse de bombardear Kyiv e outras cidades durante o período de congelamento severo, e que Putin havia concordado. "Eu pedi ao presidente Putin que não bombardeie Kyiv e várias cidades enquanto as temperaturas estão muito baixas e as pessoas são extremamente vulneráveis ao frio", Trump havia dito ao jornal The Washington Post. O Kremlin confirmou a pausa, mas deixou claro que ela duraria apenas até domingo, 1º de fevereiro — não a semana inteira que a Ucrânia alegou ter sido acordada —, e não estabeleceu nenhuma ligação formal entre a pausa e as baixas temperaturas, conforme reportou o bne IntelliNews. Na segunda-feira, 2 de fevereiro, Trump afirmou publicamente ter "novamente" convencido Putin a manter a pausa — declaração que a noite seguinte demonstrou ser falsa, conforme registrou o The Washington Post. O chanceler ucraniano Andrii Sybiha publicou no X na manhã de terça-feira: "Putin esperou as temperaturas caírem e acumulou drones e mísseis para continuar seus ataques genocidas contra o povo ucraniano. Nem os esforços diplomáticos previstos em Abu Dhabi nesta semana nem suas promessas aos Estados Unidos o impediram de continuar o terror contra o povo comum no inverno mais severo." Zelensky, em post no Telegram ainda durante o ataque, disse: "Aproveitar-se dos dias mais frios do inverno para terrorizar pessoas é mais importante para a Rússia do que recorrer à diplomacia."Os danos materiais foram extensos e precisamente direcionados à infraestrutura que mantém viva a população ucraniana no inverno. Em Kyiv, quatro mísseis Iskander-M atingiram a Usina Termelétrica de Darnytska (TPP-4); a subestação de 750 kV que conecta a Usina Nuclear de Rivne a Kyiv e à Ucrânia central foi atingida, agravando a já crítica escassez de energia na capital. A Darnytska TPP-4 havia sido alvo de ataques repetidos — era o nono ataque em massa às instalações térmicas da DTEK desde outubro de 2025, conforme registrou o Kyiv Independent. Em Kharkiv, sete mísseis Iskander-M atingiram a Usina Termelétrica nº 5, com o governador Oleh Synehubov relatando que pelo menos 820 prédios residenciais de alto padrão ficaram sem aquecimento. Em Odesa, mais de 50.000 pessoas ficaram sem energia. No Dnipro, mísseis balísticos atingiram a Usina Termelétrica de Prydniprovska. A empresa de energia privada DTEK — a maior do setor privado ucraniano — descreveu o ataque de 3 de fevereiro como "o mais severo desde o início de 2026", afirmando que os danos atingiram "equipamentos críticos de energia num momento em que calor e eletricidade são essenciais", conforme registrou a CNN. O CEO da DTEK, Maxim Timchenko, publicou imagens mostrando as instalações de uma usina elétrica reduzidas a "uma pilha de metal retorcido e concreto carbonizado", conforme a CNN reportou.Ao longo da noite, a defesa aérea polonesa foi acionada, com caças sendo lançados para garantir o espaço aéreo nacional quando alguns mísseis se aproximaram da fronteira polonesa — fato que a análise estratégica do bne IntelliNews destacou como a mais próxima penetração do espaço aéreo da OTAN do conflito em meses. Ao menos uma mulher de 38 anos foi morta em um ataque de drone na periferia de Zaporizhzhia, e pelo menos 9 pessoas ficaram feridas no total, incluindo 6 em Kyiv, conforme a Al Jazeera e a ABC News relataram. Em Kyiv, residentes desciam para estações de metrô para se abrigar enquanto as temperaturas externas caíam abaixo de -20°C, conforme a CNN registrou com base em reportagens no local.O ataque destruiu simbolicamente a narrativa de Trump de que sua relação pessoal com Putin poderia produzir gestos de moderação russos. Zelensky disse em Telegram que estava "esperando pela reação dos Estados Unidos" sobre os ataques russos à rede elétrica — uma frase que, segundo analistas da CNN e da ABC News, era uma pressão direta e pública sobre a Casa Branca para que respondesse ao que o presidente ucraniano descreveu como prova de que "a atitude em Moscou não mudou: eles ainda estão apostando na guerra e na destruição da Ucrânia, e não levam a diplomacia a sério". A segunda rodada das conversações trilaterais EUA-Rússia-Ucrânia no Palácio Al Shati, em Abu Dhabi, estava prevista para quarta-feira, 4 de fevereiro — e o ataque da noite de segunda para terça transformava o cenário de chegada das delegações, com Zelensky declarando que "o trabalho de nossa equipe de negociação será ajustado de acordo", conforme citou a Al Jazeera.