Relatório da ONU registra queda na absorção marinha de carbono
Meio Ambiente — Global
Os dados foram divulgados pelas agências climáticas e indicam perda de 6% nessa capacidade.
Queda na retenção marinha de carbonoA capacidade global dos oceanos de absorver gases poluentes sofreu uma redução de aproximadamente 6% devido ao avanço do aquecimento planetário. Esse dado integra um relatório divulgado em 28 de outubro de 2026 pela Organização das Nações Unidas (ONU), elaborado em parceria pelo Programa das Nações Unidas para o Meio Ambiente (PNUMA) e pela Convenção-Quadro das Nações Unidas sobre a Mudança do Clima (UNFCCC). A publicação ocorre em preparação para a 31ª Conferência das Partes (COP31), marcada para o período de 9 a 20 de novembro de 2026, na cidade de Antália, na Turquia. O evento sucederá a 30ª Conferência das Partes (COP30), realizada em Belém, no Brasil, em novembro de 2025, e contará com a presidência turco-australiana na condução das negociações. O estudo busca orientar os governos participantes da cúpula sobre a perda gradual de eficiência do maior sumidouro natural de carbono do planeta.Pressão térmica e falta de dadosOs mares desempenham historicamente uma função essencial de equilíbrio térmico ao capturarem cerca de 30% das emissões humanas de dióxido de carbono (CO₂) e 90% do excesso de calor retido pelos gases de efeito estufa. Segundo o levantamento, a elevação das temperaturas e as alterações na química e na circulação das águas enfraquecem esse serviço climático e deixam mais gás carbônico acumulado na atmosfera. Além desse desgaste físico e biológico, a gestão ambiental enfrenta a ausência de informações completas sobre vastas áreas marítimas. Essa carência de diagnósticos precisos, em especial pelas lacunas de monitoramento nos oceanos Índico e Antártico, na região do Ártico e em diversas zonas costeiras de países em desenvolvimento, exige a adoção imediata de novas ferramentas científicas para orientar políticas públicas.Tecnologias climáticas e carbono azulO documento da ONU avalia três categorias principais de soluções tecnológicas e naturais voltadas à proteção e ao acompanhamento do ciclo de carbono nos mares. A primeira vertente abrange sistemas de observação, sensores e modelagem de dados, classificados como os instrumentos mais maduros e urgentes para suprir a falta de conhecimento atual. O segundo grupo reúne os ecossistemas de carbono azul, formados por manguezais, pradarias marinhas e pântanos salgados, que já sequestram cerca de 407 milhões de toneladas de CO₂ por ano e protegem o litoral. O Brasil detém uma das maiores faixas contínuas de manguezais do mundo e incluiu a preservação desses biomas costeiros nos debates climáticos desde a conferência de Belém. A terceira frente envolve técnicas de remoção de dióxido de carbono marinho para armazenamento de longo prazo, que ainda apresentam incertezas e necessitam de regulamentação rigorosa para funcionar apenas como complemento ao corte de emissões.O impacto sobre os países insularesAs ações de conservação oceânica mostram-se ainda mais necessárias nos Pequenos Estados Insulares em Desenvolvimento (PEID), como Tuvalu, no Pacífico. Essas nações respondem por menos de 1% das emissões globais de gases de efeito estufa, mas enfrentam diretamente a elevação do nível do mar e a erosão territorial. Para superar a escassez de recursos, o relatório cita exemplos práticos de cooperação financeira e técnica já testados, como a conversão de dívida em recursos para a conservação marinha nas Seychelles e a capacitação de profissionais no mapeamento de ecossistemas costeiros em países do Pacífico. Esses esforços colocam em evidência um dos desafios da COP31, na Turquia: fazer com que o financiamento climático e a cooperação internacional acompanhem a urgência de proteger os oceanos e os territórios que dependem deles.